Entenda o sexo tântrico e saiba como começar

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Sem pressa. A principal diferença entre o sexo convencional e o sexo tântrico é esta: no tântrico, não existe a afobação para chegar ao orgasmo que marca as relações sexuais com que os povos ocidentais estão acostumados. “O objetivo é ter intimidade e conexão com o parceiro e consigo, prestando atenção ao momento presente, sem se preocupar com o que vai acontecer no momento seguinte”, explica a tantra e sex coach Paula Fernanda Andreazza.

O orgasmo não é obrigatório nem para o homem nem para a mulher. “Ela não precisa fingir para agradar ao parceiro. Ele não precisa ejacular. O que importa é o caminho”, diz Paula. Sem pressão por performance, a energia fica voltada para si e para o outro, para os olhares, para a respiração, para as carícias. É o “estado de presença”, ou seja, estar ali de corpo e alma, sem pensar em outros assuntos.

É por isso que essa prática tem a fama de render horas de sexo. Dando a devida importância a cada gesto, toque e sensação, a relação sexual dura em média quatro horas, segundo Deva Nishok, coordenador do Centro de Desenvolvimento Integral Metamorfose, onde são difundidos os princípios da Visão Tântrica do Caminho do Amor.

Ele afirma, ainda, que mais importante que o tempo é a qualidade dessa relação: “É muito mais significativa, porque é de conexão. Boa parte da quebra de relacionamentos vem da frustração sexual, e o sexo tântrico resgata relações, cura emocionalmente, cicatriza feridas”.

Nada a ver com Kama Sutra

Uma confusão comum a respeito de sexo tântrico é achar que ele é uma extensão ou variação do Kama Sutra. Mas uma coisa não tem nada a ver com a outra: o tantra é uma filosofia comportamental hindu com mais de cinco mil anos de existência, enquanto o Kama Sutra é um texto ilustrado sobre o comportamento sexual humano escrito na Índia no século 4.

Além disso, o sexo tântrico não é relacionado a posições sexuais, mas sim a meditações. Calma! Não estamos falando de um sentar de frente para o outro e começarem a “pensar” juntos. A meditação, aqui, significa concentração, como já foi mencionado antes.

Paula detalha: “São duas as meditações tântricas voltadas para o sexo. Na primeira, os parceiros são tocados prestando atenção ao toque, às sensações. Na segunda, mantém-se a relação sexual com a brasa em chama, nem forte demais nem apagada”.

Como entrar no sexo tântrico

Existem algumas ações e conscientizações que ajudam quem está acostumado apenas ao sexo convencional – aquele que começa com carícias, acaba na ejaculação e tem duração média de seis a 15 minutos (de acordo com a Durex Global Sex Survey) – a entrar no mundo do sexo tântrico. Deixe as distrações de lado e aprenda com as dicas de Paula Fernanda e Deva Nishok.

- Entre na relação sem álcool ou drogas no organismo
Eles direcionam a relação sexual para os atos instintivos, não conscientes, impedindo que o casal a entenda em sua plenitude.

- Desligue TV e celular
Aparelhos eletrônicos e barulhos externos em geral podem distrair o casal e fazer com que os dois não deem a devida atenção aos toques e aos carinhos do sexo tântrico.

- Não sinta vergonha ou culpa
É comum, na cultura ocidental, sentir vergonha do corpo ou culpa por fazer sexo. Para o tantra, o sexo é a energia mais sagrada que existe, pois é a única capaz de gerar outra vida, e o corpo é o templo que serve como meio para trocar essa energia. Fazer sexo é dar importância à espiritualidade. É uma visão mais amorosa da união de corpos.

- Olhe nos olhos
Começa a conexão. Na cama, fiquem bem próximos e se olhem nos olhos profundamente, com concentração. Se sentirem vontade, podem falar alguma coisa, mas não transformem esse momento em bate-papo. A ideia é se aproximar em um nível de consciência que dispense palavras. Depois de algum tempo, é possível que seja visto um “terceiro olho” no/a parceiro/a. No tantra, essa é a manifestação do aspecto sagrado da intimidade.

- Respirem juntos
Foquem na respiração pelo nariz. Inspirem e expirem juntos muitas vezes, criando uma respiração conjunta. De vez em quando, respirem fundo e lentamente. Isso pode ser feito ainda na posição de olhos nos olhos ou em um abraço, como os dois se sentirem mais à vontade. Cria-se uma conexão profunda.

- Cheire seu parceiro/sua parceira
Durante a respiração, comece a perceber o cheiro de seu parceiro/sua parceira. Dilate as narinas propositalmente, para aumentar as percepções sensoriais. Pode encostar o nariz em partes do corpo alheio, mas sem força.

- Verbalize quando gostar de um toque ou movimento
Naturalmente, a união dos corpos progredirá para carinhos e carícias. Explore todo o corpo do/a parceiro/a, não indo direto aos genitais. Quando um toque ou movimento lhe agradar, fale isso de forma direta, clara e amorosa. Chame a responsabilidade de seu prazer para si ao ensinar o/a outro/a onde estão seus pontos mais positivamente sensíveis.

- Foque em como a intimidade se dá
Esteja presente no presente. Curta o momento, sem pensar em trabalho, filhos, problemas. Mantenha sua atenção nas sensações, coloque o foco no que está sentindo agora. Não se preocupe com o que está fazendo, mas como está fazendo. Se o casal fizer acrobacias e variar as posições sexuais a todo momento, preocupando-se com a performance, está fazendo sexo convencional; se fizer o sexo papai-e-mamãe de sempre, mas focado e totalmente consciente, está fazendo sexo tântrico.

* Raquel Paulino, especial para o iG